História

Clodoaldo Silva

Natal (RN), 1979

O início

Clodoaldo Francisco da Silva Correa nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, no dia 1 de Fevereiro de 1979. Por conta de uma falta de oxigenação durante o parto, ele nasceu com paralisia cerebral, o que afetou seus membros inferiores.

Na infância e adolescência, foram mais de cinco cirurgias nas pernas, mas desde aquela época, o espírito de nunca desistir já estava presente. Mesmo quando precisava subir ladeiras para chegar à escola. “Sofri preconceitos e discriminação. Mas isso nunca me impediu de fazer qualquer coisa”, conta.

Primeiras braçadas

Aos dezesseis anos, logo após sua última cirurgia, Clodoaldo começou a praticar Natação, como sugestão da fisioterapia. Com apenas dois anos de piscina, participou do seu primeiro campeonato brasileiro, conquistando três medalhas de ouro. Em 1999, teve a sua primeira experiência internacional, representando o Brasil no Mundial na Nova Zelândia. No mesmo ano, competiu na primeira edição dos Jogos Para Pan-Americanos, na Cidade do México.

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Sydney, 2000

a primeira Paralimpíada

Em outubro de 2000, Clodoaldo estreou em Jogos Paralímpicos, em Sydney, o ponto máximo da carreira de um paratleta. Ainda que debutante, o Tubarão não se intimidou com o nível de competitividade, conquistando quatro medalhas, sendo três pratas (100m livre, 4x50m livre e 4x50m medley) e um bronze (50m livre). “É a Paralimpíada que tenho melhores lembranças, dentre as cinco que disputei. Estava conhecendo aquele mundo, não havia pressão por resultados. Curti muito a vila, a cidade e os Jogos. E ainda levei quatro medalhas para casa”, lembra.

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Atenas, 2004

o divisor de águas

No berço dos Jogos e do olimpismo, Clodoaldo Silva atingiu uma das mais expressivas marcas da história paralímpica. Foram nada menos que sete medalhas, sendo seis de ouro e uma de prata, superando todas as expectativas. O Tubarão foi ao alto do pódio nas provas 50m livre, 100m livre, 200m livre, 50m borboleta, 150m medley e 4x50m medley. Três anos depois, Clodoaldo conquistou sete ouros nos Jogos Para Pan-Americanos, consolidando-se como ícone do esporte nacional.

“A última medalha de ouro foi a mais especial de todas. Era minha última prova naquela edição, e meus companheiros de equipe ainda não tinham conquistado medalhas. Fiz questão de incentivar a todos, mostrar que era a nossa chance de subir ao pódio. Fizemos mais do que isso, saímos campeões”.

Reconhecimento dos comitês nacionais e internacionais

Em 2005, recebeu do Comitê Olímpico do Brasil o prêmio hour concuor. Honraria dada a quem teve um desempenho excepcional, e que apenas ele, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho receberam.

No mesmo ano, recebeu do Comitê Paralímpico Internacional o título de Melhor do Mundo. Tudo que um atleta poderia conquistar.

Rio, 2016

a consagração

Diante de milhares de pessoas no Maracanã (e mais outros milhões assistindo ao vivo!) Clodoaldo teve a honra de acender a pira na Cerimônia de Abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. “Até hoje, não tenho palavras para descrever a sensação daquele dia, debaixo de chuva. E acredito que não terei. Foi com certeza o momento mais marcante em 20 anos de natação! Mais do que qualquer medalha”, declarou.

Clodoaldo subiu as rampas da plataforma onde estava a pira, a acendeu e ergueu a tocha para o mundo. “Literalmente ateei fogo no Maracanã”, brinca.

Nas competições, conquistou a prata no revezamento misto 4x50m livre. Por ter tornado público que aquela seria sua última Paralimpíada, seus companheiros de Seleção prepararam uma surpresa. O presentearam com uma mascote dos Jogos assinado por todos os atletas e uma volta de honra no Estádio Aquático, saudado por toda a delegação e pelo público. Um momento mais do que especial e justo, para alguém que abriu as portas do esporte adaptado e mostrou seu valor.